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Thursday, October 09, 2003

A Primeira Cruzada (parte 3 e ultima) 

Após a batalha por Antioquia, os Cruzados ficaram na cidade durante o Verão tentando recuperar-se da difícil campanha. Mas a estadia não iria ser nada agradável. Uma peste deflagrou na cidade e causou numerosas vitímas no exército. O líder da Cruzada, o bispo Ademar de Monteil foi uma delas. A sua morte foi grave para o moral e provocou a desunião entre os barões francos que rivalizavam pelo comando. Muitos deles preocupavam-se mais com os aspectos materiais da campanha do que própriamente com os objectivos religiosos, tentando assegurar saques e dominios próprios.
Só a 15 de Janeiro é que Raimundo de Toulouse decide quebrar o impasse e partir por sua conta para Jerusalém, o objectivo final da Cruzada. A sua partida influencia os outros e pouco tempo depois partem também Godofredo, Boemundo e Robert. A 6 de junho de 1099 as unidades mais avançadas chegam a Emaús e avistam pela primeira vez a cidade de Jerusalém. O avistamento da cidade renova totalmente o espírito dos cruzados que se enchem de empenho para tomar a cidade.
Assim os vários exércitos dispõem-se á volta da cidade. Raimundo de Toulouse coloca-se a Sul, Robert Courtheuse e Robert da Flandres a Norte e Godofredo de Bulhão e Tancredo de Hauteville a Oeste.
A escassez de recursos significava falta de madeira e homens para construir armas de assalto como catapultas e torres. Este problema foi resolvido com a chegada de marinheiros genoveses á costa que desembaracaram e, sob o comando do Capitão Guilherme Ricou construiram poderosas torres de assalto e catapultas.
Assim preparados os Cruzados começaram a fustigar as grandes muralhas da cidade com os seus projecteis durante semanas.
Finalmente a 15 de Julho de 1099, deu-se o ataque final. No alto de uma torre de assalto, Godofredo de Bulhão e o seu irmão Eustáquio, foram os primeiros a pisar as muralhas, liderando o ataque á cidade. Uma vez no interior, os cruzados chacinaram a população e os defensores não poupando ninguém. Ainda decorria o massacre, quando os cavaleiros chegaram á Igreja de Jerusálem e aí, no meio de uma inaudita batalha se ajoelharam a rezar.
A tomada de Jerusalém significou o sucesso completo da Cruzada e teve enormes repecurssões tanto no Médio Oriente como na Europa onde a notícia foi recebida com júbilo. Finalmente a Cidade Santa havia sido retomada aos Infiéis.

Após o objectivo atingido, os Barões reclamaram a sua reompensa tornando-se senhores das terras que haviam conquistado.
Godofredo de Bulhão tornou-se o primeiro Rei de Jerusalém até á sua morte em Julho de 1100.
Balduino de Bolonha permaneceu em Edessa, nao tendo participado na tomada de Jerusalém e foi rei também até
1100.
Boemondo de Tarento, tornou-se rei de Antióquia até 1111.
Raimundo de Toulouse, não tendo dominio próprio tentou apossar-se de Tripoli, no entanto morreu durante o cerco. A cidade foi conquistada em 1109.

Assim pode-se dizer que a Primeira Cruzada foi um sucesso. Os objectivos foram plenamente alcançados, se bem que a alto custo. Papel fundamental tiveram nela, além dos barões, as Ordens militares religiosas dos Templários e Hospitalários, cavaleiros-monjes que tinham como unico objectivo a defesa da Terra Santa das mãos dos Infiéis. Jerusalém, Antióquia, Tripoli e Edessa tornaram-se reinos cristãos no Medio Oriente e centros de defesa da terra santa contra a enorme pressão exercida na região pelos Turcos e pelos Árabes nos anos seguintes.

JM

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