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Monday, December 06, 2004

O Desgoverno 

É emocionante escrever numa altura em que Portugal está sem governo!
Não é todos os dias que se tem o previlégio de testemunhar uma coisa destas...Pela primeira vez desde o 25 de Abril de 1974 o Presidente da Republica decidiu dissolver o Parlamento.
Cerca de três meses depois de ter legitimado o Governo de Santana Lopes, que veio substituir Durão Barroso que abandonou(!) o cargo de primeiro ministro para se candidatar à presidência do Conselho Europeu em Bruxelas.
Que enredo maravilhoso este. Nem na melhor ficção se encontraria algo tão apaixonante e surreal.
Sampaio desde logo ficou com a corda na garganta é claro. Tudo o que de mal o Governo de Santana fizesse ser-lhe-ia imputada a responsabilidade. O rebelde Santana lá faria as suas traquinices com cara de menino arrependido mas maroto, e quem leva o tau-tau é o Presidente que lá o pôs.
Mas também, que alternativa tinha ele? Eleições atecipadas assim de repente, depois da (adjectivo depreciativo aqui) demissão de Barroso? Na altura também não achei boa ideia. Como presidente de todos os portugueses e portuguesas Sampaio tomou, na minha opinião, a decisão possível. Agora aconteceu o que todos e até Sampaio esperavam...O Governo de Santana não se entende e mais vale estarmos sem Governo do que desgovernados.

Agora sim, eleições antecipadas, depois de termos tido um gostinho do que Santana é como primeiro-ministro. Há que experimentar de tudo para melhor escolher. Santana , firme e hirto vai-se candidatar. Qual condenado à guilhotina, avança com orgulho. Sócrates fala como futuro primeiro-ministro, e Sampaio fala o menos possível para a voz se-lhe não embargar pela comichão (comoção?).
Com toda a dignidade, Mario Soares, Cavaco Silva, António Guterres, Marcelo Rebelo de Sousa e outras velhas raposas a tudo assistem e sorriem...com sorte de tudo tirarão proveito. O povo cá estará para contestar se for preciso, e pagar, como é necessário.


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